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Resenha: Marina

Foto: http://faru.files.wordpress.com/2011/11/marina_s.jpg

Neste livro, Zafón nos presenteia com uma estória totalmente diferente das que estamos acostumados a ler. Cheia de aventuras e muito mistério, é um convite ao despertar da nossa imaginação. O menino Óscar é um jovem solitário que vive em um internato e adora explorar o mundo que há por trás daquelas grades. Em uma de suas aventuras pela Barcelona antiga ele conhece Marina, uma moça muito bonita e cheia de segredos que acaba  se tornando sua grande amiga e primeiro amor. Juntos eles embarcam em uma grande e perigosa aventura na história surreal de Eva Ivanova e Mijail Kolvenik. O livro se desenrola entre a buscar pelo entendimento da história do casal e o grande segredo de Marina, de forma cada vez mais inesperada, fazendo com que o leitor se surpreenda a cada capítulo e não queira desgrudar um segundo do livro. 

Os dois jovens acabam participando do final da história dos Kolvenik e o que o leitor pensaria ser o final do livro, é apenas um dos. Zafón conseguiu dar a essa obra três finais: um para o casal misterioso, outro para a doce Marina e um para o menino Óscar, sendo esse último o que deixa o leitor desejando uma continuação. 
O livro me chamou muito a atenção por sua estrutura, sua forma de nos fazer viajar no real e imaginário crendo que eles podem fazer parte um do outro. Ele também é um caldeirão de sentimentos, fazendo-nos viajar entre diversas manifestadões do amor. Foi a primeira vez que li um livro desse autor e se a primeira impressão for mesmo a que fica, desejo ler todas as obras dele. 

O poder do perdão


Eu nunca havia odiado tanto alguém até ser traído por aquele que para mim era como um irmão. Alguém pelo qual eu fazia qualquer coisa para vê-lo bem e a pesar das nossas desavenças e da sua indiferença não conseguia deixar de quere-lo. Depois da traição todo o amor que sentia se transformou em um ódio tão forte a ponto de fazer-me querer vingança e ficar feliz por sua desgraça. Sempre que o via recordava do mal que me havia feito e ficava tomada pelo ódio.
Nas noites de véspera e natal eu sonhei com ele, os dois sonhos giravam em torno do perdão, mas em nenhum eu o perdoei e acordei atordoada, com o coração apertado. No dia seguinte comentei a uma amiga o ocorrido, ela me recomendou que rezasse e fizesse a oração do perdão. No mesmo instante o aperto voltou de forma tão forte a ponto de fazer-me ficar fraco, tonto, de coração acelerado e com uma vontade absurda de chorar. Deixei o que estava fazendo, me tranquei no quarto e rezei enquanto me esvaia em lágrimas. Era como se o pranto fosse todo o ódio saindo do meu ser. Então eu orei, e em meio a oração me peguei dizendo que o amava. Aos poucos o mal-estar foi passando e o sentimento ruim também. Agora quando me lembro do rosto dele, não enxergo apenas o mal que me fez, mas também que o perdoei e o amo apesar de tudo. 

Para alguém especial


Ter poucos amigos é bom, porém às vezes causa uma sensação de solidão. Mas é nesses momentos que lembro que existe uma pessoa que está aqui, bem pertinho de mim, ouvindo minhas tagarelices e meus desabafos diariamente. Fazendo-me rir com seu jeito espontâneo, me deixando encantada com suas histórias e tranquila só por estar perto, sem precisar falar nada. Saber que tem alguém que se preocupa comigo, me dando broncas e puxões de orelha e até eles serem agradáveis ao coração. Além de ser cuidada, sentir a vontade de cuidar, de mostrar para essa pessoa que ela sempre terá com quem contar, demonstrar a reciprocidade.
A vida tem dessas pegadinhas sem explicação, Fazer desabrochar no coração de duas pessoas de origens distintas, um sentimento que só uma mãe pode sentir por um filho e visse versa. 
Essa é uma das coisas que mais sentirei falta nesses meses de intercâmbio, e espero que esse sentimento prevaleça apesar da distância, e que ela sirva para torná-lo cada vez mais intenso, pois é um prazer imenso te ter como amiga.