O poder do perdão


Eu nunca havia odiado tanto alguém até ser traído por aquele que para mim era como um irmão. Alguém pelo qual eu fazia qualquer coisa para vê-lo bem e a pesar das nossas desavenças e da sua indiferença não conseguia deixar de quere-lo. Depois da traição todo o amor que sentia se transformou em um ódio tão forte a ponto de fazer-me querer vingança e ficar feliz por sua desgraça. Sempre que o via recordava do mal que me havia feito e ficava tomada pelo ódio.
Nas noites de véspera e natal eu sonhei com ele, os dois sonhos giravam em torno do perdão, mas em nenhum eu o perdoei e acordei atordoada, com o coração apertado. No dia seguinte comentei a uma amiga o ocorrido, ela me recomendou que rezasse e fizesse a oração do perdão. No mesmo instante o aperto voltou de forma tão forte a ponto de fazer-me ficar fraco, tonto, de coração acelerado e com uma vontade absurda de chorar. Deixei o que estava fazendo, me tranquei no quarto e rezei enquanto me esvaia em lágrimas. Era como se o pranto fosse todo o ódio saindo do meu ser. Então eu orei, e em meio a oração me peguei dizendo que o amava. Aos poucos o mal-estar foi passando e o sentimento ruim também. Agora quando me lembro do rosto dele, não enxergo apenas o mal que me fez, mas também que o perdoei e o amo apesar de tudo. 

Opostamente proporcionais


Nesse mundão de meu Deus, um não poderia sequer imaginar a existência do outro. Ela perdida em meio à seus livros e suas músicas, ele com seus jogos e seus cálculos, opostos distraídos em suas rotinas. Mas a vida sacana resolveu pregar-lhes uma peça: revelou a existência de um para o outro e até mais do que isso, trouxe um para a vida do outro. O que eles não sabiam é que da mesma forma que os opostos se distraem, acabam sendo opostamente proporcionais e por fim estão dispostos a atraírem-se. E foi através de olhares, sorrisos, implicâncias, que os destinos foram selados. Não se sabe até quando durará esse encontro, mas para os dois esses detalhes são relevantes. O que realmente importa é viver o presente, aproveitar os momentos, e permanecer juntos até quando o tempo permitir.

Izabella Santiago

O despertar da Bella adormecida


Depois de 5 meses de sono profundo, a Bella adormecida foi obrigada a despertar, tudo culpa da malvada bruxa! Ao rever seus familiares ficou muito feliz, mas tinha uma coisa que dava pontadas muito fortes em seu peito. Ela queria trancar-se em seu mundo, mas não podia fazê-lo pois todos a queriam de volta. O coração da Bella doía todas as vezes que lembrava do sonho que teve enquanto dormia. 
-Que situação estranha, como um simples sonho poderia mudar tanto a minha vida? Oh bruxa má, por quê você fez isso comigo? Me tirou o sonho que tanto amei.- disse a Bella. 
A bruxa contestou: pelo contrário, eu despertei em você um dos sentimentos mais lindos que o homem pode ter, o desejo de voar. Agora Bella, por mais que seu coração doa, você tem em mãos um grande poder. Eu te dei o segredo, mas tudo depende única e exclusivamente de você.
 Nesse momento, as pontadas que ela sentia se transformaram em uma luz interior. O desejo que florou em seu ser, foi a esperança. Ela saiu correndo e ao chegar do lado de fora deu de cara com o sol, percebeu que o dia estava perfeito para voar, então abriu asas e alçou.

Os primeiros dias na terrinha



Hoje faz exatamente 17 dias que voltei para o Brasil. A nostalgia a cada dia que passa, dói mais forte no peito. Tudo aqui está tão igual, que tenho a sensação de que o que vivi não passou de um sonho bom e único. Não imaginei que fosse tão difícil me readaptar a minha antiga vida, mas acredite, está sendo mais complexo do que quando saí daqui em direção ao desconhecido. Desconhecido esse, que se tornou tão meu, que martela em meu peito querendo que eu retorne ao lar que deixei 17 dias atrás; ao lar que eu marquei e que me marcou. Viver sem esse lar para mim é impossível e eu não quero ir contra esse sentimento. Já faço planos para minha volta, e que seja o mais breve possível, pois não sei quanto tempo vou aguentar. Eu choro toda vez que lembro os cinco melhores meses da minha vida, e me culpo pelas vezes em que pedi pra que ele passasse rápido. 

Viver na Espanha



Viver na Espanha é um sonho, passei ali os 5 melhores meses da minha vida até então. Fiz essa viagem cheia de caraminholas na cabeça, e acredito que são coisas que a maioria dos brasileiros inexperientes pensam do país. Então, resolvi esclarecer  ao futuros viageiros, como é a vida nesse lugar:


  1. Uma coisa que as pessoas têm na cabeça, é que os espanhóis são fechados, mal humorados e não gostam dos brasileiros. Isso é lorota! Essa característica que costumamos generalizar, muda de acordo com a região. No sul da espanha as pessoas são incríveis, super gentis e acolhedoras, e adoram os brasileiros. Já no norte as pessoas são mais fechadas, mas isso não quer dizer que não são boas, eles também gostam dos brasileiros, mas de uma forma particular;
  2. A Espanha está entre os países mais visitados do mundo, e isso não é a toa. Para todo lado que você olhar, sempre vai haver um tipo de manifestação artística, muita natureza, cor e alegria. Em Andaluzia está localizada a Espanha mais tradicional por assim dizer. Nessa região ao sul do país, encontramos o chamado "trio de ouro andaluz" (Sevilha, Córdoba e Granada), e também a primeira cidade romana da Espanha (Itálica), ai você pode aproveitar de praia e neve sem precisar ir muito longe. É comum sair de casa e dar de cara com algum estrangeiro, e graças a isso, você pode fazer amizades e ter a oportunidade de conhecer outros países futuramente;
  3. Comida: a gastronomia espanhola é riquíssima, e a famosa paella merece ser provada. Caso sinta falta do gostinho brasileiro, você pode dar uma passadinha no carrefour e matar a saudade. Outro ponto positivo é que na Espanha se come muito bem e sem gastar muito, a variação vai das pequenas tapas (você pode encontrá-las até por 1 euro, e se és do tipo que come pouco, ela é a refeição perfeita), meia refeição (em média 4 euros, e eu mesma não aguento comer nem metade do tanto que vem), e por fim a refeição;
  4. Clima: As estações do ano são bem marcadas, invernos congelantes, verões calorosos, primaveras floridas (o outono eu não cheguei a ver). Se você não é adepto ao frio, a região sul é perfeita, as temperaturas não chegam a menos que 0º e em boa parte das cidades (principalmente Sevilha) o sol sempre dá as caras;
  5. Família anfitriã: As famílias que receberam a mim e aos meus amigos são incríveis. Meus pais me tratavam como se eu fosse mais uma filha deles, sempre atenciosos e me ajudando no que podiam. Claro que sempre há exceções, mas os coordenadores locais estarão presentes pra te ajudar a resolver;
  6. O ensino médio na Espanha é dividido em 2 anos ( 1º e 2º de bachillerato), e esses são divididos em "ciências" e "humanas" tendo também subdivisões. Eu fiz o bach. de ciências da saúdes, tinha 11 matérias (francês, inglês, física e química juntas, matemática, biologia, ciências para o mundo contemporâneo, projeto integrado, religião, educação física e castelhano). As provas são normalmente abertas, e a média é de 5 pontos. Não se utiliza uniforme nas escolas públicas, em algumas escolas os alunos podem sair no horário do lanche, e em outras isso só é permitido para os maiores de idade.

Bom galera, esse é um resumo das observações que fiz no período que passei na Espanha. Qualquer dúvida não esclarecida, deixem nos comentários que eu irei responder com o maior prazer.